mudanca

Eu completo 21 aninhos nessa quinta-feira. Desses 21, 20 anos eu passei morando na Zona Leste. Meus pais nunca tiveram casa própria, então eu me mudo desde pequena – o que nunca foi algo tão ruim pra mim, porque acordar e ter a mesma paisagem na janela todos os dias nunca pareceu algo legal. Só foram duas mudanças que realmente me incomodaram. Uma foi em 1998, quando eu fui para Porto Feliz (lá não tem muitos “pontos de referência”, mas serve se eu falar que é onde fica a fábrica da Schincariol? Perto de Sorocaba. Melhorou?); poxa, eu já frequentava o mesmo colégio desde sempre, já tinha minhas melhores amigas e tudo. Começar de novo foi difícil, mas superei.

A segunda mudança foi (ou está sendo) essa.

Ulli e a montanha de plástico bolha <3

Mas antes, preciso contar a história do outro apartamento, que foi engraçada: meus pais estavam procurando algum lugar pra morar no Tatuapé e reviraram a Internet toda pra achar algo que realmente gostassem. Depois de incontáveis visitas frustrantes, eles acharam um apartamento legal, grande e com um aluguel por um preço até que ok – se eu pudesse ajudar pagando o condomínio, seria perfeito. Eu nunca fui muito de dar minha opinião nisso, tinha preguiça e era meio inútil, já que a opinião final sempre vem da minha mãe.

Quando tudo estava certo, o meu único trabalho  foi dar uma olhada no Google Maps pra saber como faria pra ir pra faculdade e pro trabalho. Fiquei toda feliz ao saber que, por alguma conspiração do Universo a favor da minha vida amorosa, ia morar a cinco minutos do meu namorado.

Foi pouco mais de um ano tendo a vida mais fácil do mundo: perto do metrô, demorando 40 minutos pra ir pro trabalho (e voltar também), e com o namorado pertinho <3 Quem disse que eu queria me desfazer disso?

Eis que surgiu a ideia da mudança, e o começo do meu drama.

Meu avô morreu há cinco meses (e dois dias, pra ser mais precisa), e não era legal que a minha vó ficasse sozinha em casa. Ela é muito aberta e eu não considero o bairro um dos mais seguros do mundo, embora, depois de 60 anos, não ter acontecido nada. Do outro lado, as coisas estavam pesadas pra todo mundo em casa: estávamos gastando muito com gasolina, já que a vida da família ficava mais para os lados da Água Rasa; o condomínio começou a ficar pesado mim, que estou pagando uma mensalidade salgada da faculdade; e, mesmo que minha vó se mudasse pra outro lugar, não teria como a casa ficar sozinha. Ok, meus pais resolveram que nos mudaríamos para lá. Eu já não teria o metrô tão perto pra tudo, nem o namorado.

Pronto, mais drama.

A mudança aconteceu na quinta-feira, mas como eu tinha médico lá por perto na sexta, fui dormir no apartamento. Vazio. Só tinha o que eu precisava pra passar uma noite, e Internet. Foi uma noite muito triste. Foi difícil pegar no sono, mas uma hora ele chegou.

Tchau, porta bonita que eu sempre gostei.

Se eu tivesse deixado pra escrever isso na sexta-feira, com certeza eu teria o texto mais negativo do mundo aqui. Mas ainda bem que eu deixei o final de semana passar pra poder “desabafar”.

Por mais que pra minha “vida social” (vamos chamar assim: ir trabalhar, ver o namorado e passear) aquele fosse o melhor lugar para morar, era difícil falar no telefone, porque eu morava numa avenida por onde passavam muitos ônibus, tinha funk logo cedo, o bar da frente adorava uma música alta até tarde, sempre tinha briga na minha janela; no prédio, em algum apartamento, tinham duas crianças que viviam gritando, e também um papagaio. Eu não me lembro de ter passado grandes bons momentos lá, não era um lugar com tantas memórias gostosas. Já a casa do meus avós guarda inúmeras lembranças maravilhosas, de três gerações. Eu me senti bem dormindo lá, apesar da bagunça que qualquer mudança faz. E tem dois jardins enoooormes precisando de muito amor – e eu bem sei que meu avô adoraria vê-los bem lindos.

Sobre o transporte: todos os ônibus que passam lá perto vão para o Metrô Belém (ok, o único que não vai pra lá, vai pro Metrô Tatuapé), eu demoro 40min pra chegar no trabalho – ainda não sei como vai ser com a faculdade, vou fazer o primeiro teste amanhã.

Sobre o amor: ok, eu não vou demorar menos de cinco minutos pra chegar na casa dele, mas também não vou demorar uma hora (talvez, meia; não mais que isso também). Resolvi parar de fazer drama depois que me lembrei da Rayanna, que tem um namorado que mora em outro estado, e ela precisa esperar finais de semana, feriados prolongados, etc, pra poder vê-lo. Resolvi parar de ser egoísta e olhar um pouquinho pro lado pra parar de reclamar.

E outra: por mais desconfortável que algo pareça, eu preciso sempre me lembrar que “isso também vai passar”, respirar e deixar o drama de lado nessas horas, certo? :)

Um beijo.