saudade

Eu amo quando coloco músicas novas no iTunes :) Atualizei hoje e resolvi ficar ouvindo, enquanto o sono não vinha. Aí começou a tocar “Canção Pra Você Viver Mais”, do Pato Fu, e comecei a pensar em gente que me faz muita falta (na verdade, voltei a pensar, porque eu me lembro deles dois todos os dias, várias vezes por dia).

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E então de Pato Fu eu caí em “O Anjo Mais Velho”, d’O Teatro Mágico. Deu aquele nó na garganta ao ouvir “Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você”. Isso é algo que eu prometo pra toda pessoa querida, e percebi, quando elas se vão, que isso é realmente verdade.
Em janeiro, eu perdi um grande amigo, pra um acidente num lago congelado. Em maio, perdi meu vô, pra uma pneumonia que já estava durando mais de um mês.

Posso dizer que, desde a primeira semana de 2012, os dias tem sido difíceis. Não pelo sofrimento, porque isso já passou (apesar de a dor parecer eterna), mas pela saudade.

E eu tive um dos aniversários mais angustiantes esse ano. Chorei nos primeiros e nos últimos minutos do meu dia, porque faltou (e eu sabia que ia faltar) uma mensagem, via Facebook, do Henrique, e um telefonema do Sr. Alfredo falando “Ô, filha! Feliz aniversário, viu? O vô te ama muito!” (eu escrevi isso lembrando da voz dele).

E deu saudade, aquela dor que chega a ser física, é aquele vazio que fica bem no meio do peito, aí você põe a mão e fala “eu sinto um negócio estranho aqui”.

E essa imagem do início do post é bem verdade, “A vida só é preciosa porque ela acaba”; não digo só pela minha vida, mas pelas dos outros queridos. A vida de cada um é muito preciosa pra mim, porque acaba, porque essa saudade é ruim demais.

mudanca

Eu completo 21 aninhos nessa quinta-feira. Desses 21, 20 anos eu passei morando na Zona Leste. Meus pais nunca tiveram casa própria, então eu me mudo desde pequena – o que nunca foi algo tão ruim pra mim, porque acordar e ter a mesma paisagem na janela todos os dias nunca pareceu algo legal. Só foram duas mudanças que realmente me incomodaram. Uma foi em 1998, quando eu fui para Porto Feliz (lá não tem muitos “pontos de referência”, mas serve se eu falar que é onde fica a fábrica da Schincariol? Perto de Sorocaba. Melhorou?); poxa, eu já frequentava o mesmo colégio desde sempre, já tinha minhas melhores amigas e tudo. Começar de novo foi difícil, mas superei.

A segunda mudança foi (ou está sendo) essa.

Ulli e a montanha de plástico bolha <3

Mas antes, preciso contar a história do outro apartamento, que foi engraçada: meus pais estavam procurando algum lugar pra morar no Tatuapé e reviraram a Internet toda pra achar algo que realmente gostassem. Depois de incontáveis visitas frustrantes, eles acharam um apartamento legal, grande e com um aluguel por um preço até que ok – se eu pudesse ajudar pagando o condomínio, seria perfeito. Eu nunca fui muito de dar minha opinião nisso, tinha preguiça e era meio inútil, já que a opinião final sempre vem da minha mãe.

Quando tudo estava certo, o meu único trabalho  foi dar uma olhada no Google Maps pra saber como faria pra ir pra faculdade e pro trabalho. Fiquei toda feliz ao saber que, por alguma conspiração do Universo a favor da minha vida amorosa, ia morar a cinco minutos do meu namorado.

Foi pouco mais de um ano tendo a vida mais fácil do mundo: perto do metrô, demorando 40 minutos pra ir pro trabalho (e voltar também), e com o namorado pertinho <3 Quem disse que eu queria me desfazer disso?

Eis que surgiu a ideia da mudança, e o começo do meu drama.

Meu avô morreu há cinco meses (e dois dias, pra ser mais precisa), e não era legal que a minha vó ficasse sozinha em casa. Ela é muito aberta e eu não considero o bairro um dos mais seguros do mundo, embora, depois de 60 anos, não ter acontecido nada. Do outro lado, as coisas estavam pesadas pra todo mundo em casa: estávamos gastando muito com gasolina, já que a vida da família ficava mais para os lados da Água Rasa; o condomínio começou a ficar pesado mim, que estou pagando uma mensalidade salgada da faculdade; e, mesmo que minha vó se mudasse pra outro lugar, não teria como a casa ficar sozinha. Ok, meus pais resolveram que nos mudaríamos para lá. Eu já não teria o metrô tão perto pra tudo, nem o namorado.

Pronto, mais drama.

A mudança aconteceu na quinta-feira, mas como eu tinha médico lá por perto na sexta, fui dormir no apartamento. Vazio. Só tinha o que eu precisava pra passar uma noite, e Internet. Foi uma noite muito triste. Foi difícil pegar no sono, mas uma hora ele chegou.

Tchau, porta bonita que eu sempre gostei.

Se eu tivesse deixado pra escrever isso na sexta-feira, com certeza eu teria o texto mais negativo do mundo aqui. Mas ainda bem que eu deixei o final de semana passar pra poder “desabafar”.

Por mais que pra minha “vida social” (vamos chamar assim: ir trabalhar, ver o namorado e passear) aquele fosse o melhor lugar para morar, era difícil falar no telefone, porque eu morava numa avenida por onde passavam muitos ônibus, tinha funk logo cedo, o bar da frente adorava uma música alta até tarde, sempre tinha briga na minha janela; no prédio, em algum apartamento, tinham duas crianças que viviam gritando, e também um papagaio. Eu não me lembro de ter passado grandes bons momentos lá, não era um lugar com tantas memórias gostosas. Já a casa do meus avós guarda inúmeras lembranças maravilhosas, de três gerações. Eu me senti bem dormindo lá, apesar da bagunça que qualquer mudança faz. E tem dois jardins enoooormes precisando de muito amor – e eu bem sei que meu avô adoraria vê-los bem lindos.

Sobre o transporte: todos os ônibus que passam lá perto vão para o Metrô Belém (ok, o único que não vai pra lá, vai pro Metrô Tatuapé), eu demoro 40min pra chegar no trabalho – ainda não sei como vai ser com a faculdade, vou fazer o primeiro teste amanhã.

Sobre o amor: ok, eu não vou demorar menos de cinco minutos pra chegar na casa dele, mas também não vou demorar uma hora (talvez, meia; não mais que isso também). Resolvi parar de fazer drama depois que me lembrei da Rayanna, que tem um namorado que mora em outro estado, e ela precisa esperar finais de semana, feriados prolongados, etc, pra poder vê-lo. Resolvi parar de ser egoísta e olhar um pouquinho pro lado pra parar de reclamar.

E outra: por mais desconfortável que algo pareça, eu preciso sempre me lembrar que “isso também vai passar”, respirar e deixar o drama de lado nessas horas, certo? :)

Um beijo.

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– longas caminhadas pela Av. Paulista, sem pressa;

– conversas de MSN, até olhar no relógio: “OMG! SÃO QUASE 4 DA MANHÔ;

– sair pra fotografar;

– ouvir Mallu Magalhães;

– terminar de ler um livro (faz um booom tempo que eu não faço isso);

– escrever histórias, só pra mim;

– pizza com champanhe;

– beber (só não sinto falta do que acontece depois u_u);

– sleepover na casa da Thainá, com a Tatiane e a Mariana (minhas melhores amigas da época do colégio);

– viajar;

– passar datas comemorativas com a família toda;

– ir ao Hopi Hari;

– assistir a qualquer programa de TV, à tarde;

– ficar dias só fazendo o que me deixa feliz;

– fechar algum passeio na Häagen-Dazs da Oscar Freire;

– ficar encolhidinha em um dos sofás gostosinhos da Starbucks da Alameda Campinas;

– dramas pós festas, por causa de qualquer amor platônico;

– sair com as amigas (antes dos 18) bolando um plano B, caso não conseguíssemos entrar na balada;

– a “levantada” de uma sobrancelha só que o Henrique dava (quando ele fazia isso, significava que alguém tinha falado algo estranho/engraçado e eu estaria rindo em 5 segundos);

– minha chapinha (preciso comprar uma nova!);

– aulas de Química (eram bem mais fáceis do que fazer um cronograma de campanha publicitária);

– dançar;

– tomar vinho;

– assistir a filmes de menininha;

– ir a alguma exposição;

– comida mexicana do La Buena Onda, da R. Itapura;

– assistir The Hills;

– assistir Gossip Girl;

– ir a algum show;

– ouvir meu vô reclamar :'(